O Ministério da Saúde iniciou um monitoramento rigoroso sobre a cadeia global de suprimentos farmacêuticos diante da intensificação da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O ministro Alexandre Padilha manifestou preocupação com os reflexos do conflito durante visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB) neste sábado (21).
Embora tenha garantido que, até o momento, não houve impacto nos custos logísticos do Sistema Único de Saúde (SUS), o governo federal permanece em alerta para possíveis interrupções no fornecimento de insumos básicos. “Toda a guerra faz mal à saúde. Ela mata pessoas, mata inocentes, destrói unidades de saúde e ela pode afetar a cadeia de distribuição global”, alertou o ministro.
O principal ponto de atenção reside na dependência da indústria farmacêutica em relação aos derivados de petróleo, cuja cotação atingiu o pico de US$ 120 o barril recentemente. A volatilidade do mercado é agravada pela localização estratégica do Irã, que controla o Estreito de Ormuz, via por onde trafegam cerca de 25% do petróleo mundial.
Analistas apontam que a dificuldade de transporte nessa região pode encarecer a produção de matérias-primas essenciais na China e na Índia, os maiores fornecedores globais de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) para o Brasil.
Padilha revelou ter discutido o tema com autoridades chinesas e indianas em viagens recentes, buscando estratégias para mitigar riscos nas rotas comerciais. “A base inicial de muitos medicamentos é de produtos derivados do petróleo. Então, se você tem um aumento do preço do petróleo internacional, se você dificulta a chegada do petróleo nos países que mais fazem essas matérias-primas, como a China e a Índia, a guerra pode afetar isso”, explicou.
O governo brasileiro estuda agora medidas de contingência para garantir que o estoque de medicamentos essenciais não seja comprometido caso o cenário geopolítico se deteriore nos próximos meses.





